Etcetera é o segundo álbum de estúdio da cantora, produtora e compositora LASHAE, lançado em 27 de novembro de 2025 pelo selo Innersound Records. A obra transita entre o alternative, o rock e o folk.

Em entrevista a uma rádio, a artista comentou sobre o conceito por trás da obra:
“É um trabalho mais pesado, escrito em uma fase da minha vida em que eu me sentia extremamente solitária, mesmo cercada por multidões. Embora não tenha uma narrativa linear, o álbum fala sobre pessoas quebradas, presas em situações das quais não conseguem escapar, mesmo sabendo que aquilo as destrói. Fala também sobre o que somos capazes de fazer para nos sentirmos amados.”
LASHAE também explicou a escolha do título: “A palavra Etcetera (ou etc) representa tudo aquilo que fica nas entrelinhas, o que não conseguimos ou preferimos não nomear. Enxergo as narrativas do álbum como notas de rodapé da vida humana.”

O disco sucede o aclamado Belle Époque, lançado há mais de cinco anos. Sua produção, porém, remonta a 2022, tendo a faixa “Every Man” como coluna vertebral de todo o projeto. Ao longo desse período, o álbum passou por sutis mudanças de conceito e de sonoridade até assumir sua forma final. Ele reúne três singles já conhecidos pelo público: “Every Man” e “The Bride Wore Black”, lançados em 2023, e “Gilda”, divulgada em 2024.
Entre as inspirações que moldaram o disco estão a obra de Fiona Apple e Lana Del Rey, bem como os filmes Cléo das 5 às 7, de Agnès Varda, e Viver a Vida, de Jean-Luc Godard.

Liricamente, o álbum foi concebido como uma antologia: cada faixa é uma narrativa independente, ainda que unificada por um conceito maior, com exceção das músicas “The Bride Wore Black” e “Intermission (Off The Record)”, que dialogam diretamente entre si.
Visualmente, o projeto bebe da estética film noir e das obras dos pintores surrealistas Salvador Dalí e René Magritte. Em entrevista à Rolling Stone, LASHAE comentou sobre a decisão de usar cores na identidade visual:
“Inicialmente, a ideia era manter a estética preto-e-branco dos singles. Mas quando finalizei a capa em cores, eu me apaixonei na hora. Também gosto dessa quebra de expectativa: todo mundo imaginava um disco em p&b.”

Na versão comentada do álbum, a cantora discorre sobre as faixas:

1. Mise-Èn-Scene: “Nessa canção, eu queria retratar a atmosfera de um encontro casual: uma mulher e um homem flertando em um bar, cada um desempenhando o papel que acredita ser esperado dele. A música aborda as convenções sociais e a performatividade das relações humanas: o quanto modulamos nosso comportamento, nossas emoções e até nossa dor para caber nos personagens que nos são impostos (ou nos que escolhemos interpretar). Ela também fala sobre exaustão emocional, sobre o peso de sustentar essa máscara".

2. Bug Collector: “Essa faixa foi a última a entrar no disco, sendo originalmente escrita para a versão deluxe. No entanto, ao organizá-lo, percebi que ela faria mais sentido no início, sendo importante para a criação da atmosfera do álbum. Aqui, reflito sobre ambição e sobre como, em um sistema corrompido, podemos ser usados ou usar outras pessoas para alcançar nossos objetivos. Estou nessa indústria há tempo suficiente para ter visto de tudo e essa canção é uma crítica direta à cultura de Hollywood e ao mecanismo de poder que transforma jovens talentosas em presas fáceis.”

3. Gilda: "A canção fala sobre a vida de uma trabalhadora sexual, permeando os temas de exploração, isolamento, autoaversão e busca por conexão humana. Durante o seu trabalho, o eu-lírico se distancia emocionalmente de sua realidade, buscando escapar da dor e do vazio interior. O nome "Gilda" refere-se à protagonista do icônico filme noir de 1946 de mesmo nome, já "Rita" faz alusão à atriz que interpreta tal personagem, Rita Hayworth. Em uma de suas declarações públicas, a artista falou: "Todos os homens que conheci dormiram com Gilda e acordaram comigo". O eu-lírico da música pontua que deseja ser uma pessoa forte e segura de si como Gilda, mas no fim sempre se vê fragilizada e vulnerável, como Rita."

4. In Loving Memory: “Essa foi uma das canções que mais me diverti escrevendo. Ela não segue uma narrativa tradicional: eu queria brincar com o ouvinte, quase enganá-lo, camuflando uma história de obsessão dentro de uma canção que soa como amor. Quem imaginaria que um verso doce quanto ‘Excuse me, I think I love you’ pudesse levar a uma tragédia? Quis falar sobre a devoção que lentamente se distorce em controle, sobre o momento em que um ‘para sempre’ deixa de ser promessa e passa a soar como sentença".

5. The Bride Wore Black: "A letra descreve uma situação na qual o eu-lírico descobre que foi enganado por alguém que amava profundamente. A pessoa traída expressa sua raiva e desejo de vingança, admitindo que foi manipulada por mentiras bonitas e falsas promessas. À medida que a canção avança, o narrador revela que matou seu amado e descreve sua jornada de vingança, pintando um quadro sangrento. O título "The Bride Wore Black" (A Noiva Vestia Preto) sugere a transformação do personagem de uma figura inocente e amorosa em alguém sombrio e vingativo."

6. Intermission (Off The Record): “Essa faixa nasceu para ser apenas uma pequena interlude, mas eu me apaixonei tanto pelo resultado que acabei estendendo sua duração. Ela funciona como uma continuação direta da história iniciada em ‘The Bride Wore Black’, e até inseri uma referência para o remix com a cantora argentina Rubia: ‘Cheguei em casa mais cedo da casa de uma amiga. Você pode perguntá-la, mas ela responderá em espanhol’. Foi uma das composições mais divertidas de escrever porque pude vestir completamente a máscara de uma narradora não confiável, presa em um interrogatório enquanto tenta seduzir o policial. Criar essa personagem moralmente ambígua, que distorce amor em posse, medo, vaidade e a recusa em ser deixada para trás, foi simplesmente delicioso."

7. My Heart Can't Beat Unless You Tell It To: "Essa foi uma das primeiras faixas que compus para o projeto e, por muito tempo, imaginei que seria o segundo single. Mas, no fim, percebi que The Bride Wore Black cumpria melhor esse papel por ser mais acessível e radiofônica. Assim como In Loving Memory, essa canção mergulha em temas de devoção extrema, quase um culto. Eu queria escrever sobre uma personagem que confunde amor com sobrevivência emocional, alguém que acredita que só existe quando recebe atenção, mesmo que essa atenção venha na forma de dor, controle ou violência. A protagonista vive dentro de um ciclo vicioso: romantiza as próprias feridas e aceita migalhas como provas de afeto."

8. Moon And Cherry: "Essa é uma das faixas mais devastadoras que já escrevi. Ela fala tanto sobre dependência química quanto emocional, e sobre alguém que ama tanto que acaba se tornando cúmplice da própria destruição do outro. A narradora está presa entre o impulso de salvá-lo e o desejo de vê-lo, ao menos por instantes, em paz, tentando preservar as últimas migalhas do homem que um dia conheceu. É uma música sobre o desespero de quem segura a mão de alguém que já não está mais ali, sobre esperança que se transforma em ilusão e sobre a dor de amar alguém que está desaparecendo diante dos seus olhos."

9. Every Man: "Nos versos da música, canto sobre a dor de um amor passageiro e não correspondido. A letra descreve como o parceiro da narradora terminou o relacionamento de forma amigável e mesmo assim a deixou com feridas emocionais difíceis de curar. Apesar disso, a narradora ainda nutre fortes sentimentos por seu ex-parceiro e se divide entre querer seguir em frente e manter as memórias de seu amor. No geral, a música é uma reflexão sobre a natureza complexa e muitas vezes dolorosa do amor romântico. É definitivamente a minha canção favorita que já escrevi e guardo um lugar muito especial para ela no meu coração."

10. Owl: "Essa canção é especial para mim porque, por muito tempo, me enxerguei exatamente como o eu-lírico dela. Sempre fui fascinada por observar as janelas do meu bairro em Mayfair, Londres, e perceber como as pessoas revelam suas verdades mais cruas quando acreditam estar sozinhas. Essa música fala sobre essa solidão silenciosa, sobre o desejo de viver uma vida que não é a sua e sobre a melancolia de existir apenas como espectadora, nunca protagonista, da própria história. O vigilante noturno conhece o mundo inteiro de longe, mas nunca encontra um lugar dentro dele."

11. June 1st: "Acredito que a partir de agora será um ritual para mim terminar meus álbuns com canções sobre a morte. Nesta faixa, eu quis dar voz a um personagem anônimo, alguém que poderia ser qualquer pessoa. John Doe, nome utilizado para indigentes nos Estados Unidos, simboliza aqueles que passam pela vida sem serem realmente vistos. Quis retratar como a invisibilidade se transforma em um fardo insuportável. É uma ode a todos os que se sentem esquecidos e um lembrete de que a gentileza pode salvar mais do que imaginamos."

Antes de tudo, gostaria de me desculpar pela longa espera até o lançamento deste álbum. Ao mesmo tempo, espero que entendam que eu jamais entregaria ao mundo uma obra da qual eu não estivesse 100% orgulhosa, e, desta vez, eu estou.

Quero agradecer, acima de tudo, aos meus fãs, pela paciência inesgotável. Espero de verdade que vocês se sintam recompensados. Também quero agradecer aos meus co-produtores: PRAYØR, responsável por todas as manips usadas na arte do álbum, e Tammy, que gentilmente me ajudou com o HTML. Sou eternamente grata aos meus amores: MOE, Rubia, Serina Fujikoso, Sana Dawn Thomas e Tessa Reimels, que acompanharam cada passo dessa jornada que foi criar este álbum.

Além disso, quero agradecer às minhas queridas amigas Remy C, por todas as contribuições valiosas nas letras, e Jackie, que acompanhou o processo de produção mesmo de longe. Não poderia deixar de agradecer à minha querida gravadora, a Innersound Records, que me acolheu com um carinho imenso e jamais deixou de me apoiar, nem por um único dia.

Obrigada por caminhar comigo até aqui. O resto é... Etcetera.

Com amor, LaShae.